seg. nov 29th, 2021

Colniza é lanterna na vacinação contra a Covid; Outras 3 cidades da região estão na lista

Coordenador da Saúde local diz que moradores desconfiam da eficácia dos imunizantes

Apesar do avanço na vacinação contra a Covid na maioria dos municípios de Mato Grosso, algumas prefeituras ainda encontram dificuldades em completar a imunização da população. A pior situação vive Colniza, seguida por Vila Rica (2ª) e Pedra Preta (3º). Os dados são do ranking de aplicação de vacina disponibilizado pelo Governo do Estado. 

As informações foram atualizadas na última quarta-feira (17) e correspondem a aplicação da segunda dose em comparação ao número de população vacinável de cada município. No caso de Colniza, que aparece como a cidade com menor porcentagem de vacinação, o Estado contabilizou a entrega de 31.439 doses.

No entanto, apenas 8.177 foram aplicadas. Com esses números, o Município acabou entrando na lista de alerta do ranking, que incluiu aqueles com adesão menor ou igual a 50% da população vacinável. 

O coordenador da Secretaria de Saúde de Colniza, Luciano Campos Silva, confirma que a situação é preocupante. No entanto, explica que a baixa adesão não é por falta de campanha ou empenho dos profissionais de saúde. 

Luciano explica que grande parte da população vacinável não acredita na eficácia da imunização. Segundo o coordenador, eles são influenciados por líderes religiosos e pelo presidente Jair Bolsonaro, que muitas vezes minimizam a importância da vacinação ou até mesmo dizem que elas fazem mal. 

“Aqui infelizmente o pessoal não tem um senso crítico para saber o que é verdade. Desde adolescentes até os mais velhos acreditam em tudo que está no WhatsApp. Eles acham que a vacina vai matar as pessoas, que são usadas para fazer testes”, relata. 

A grave situação já perdura desde o início da pandemia. Mesmo com todos os esforços e campanhas por parte de equipes de saúde, a população se recusa a vacinar e isto só piorou em relação à segunda dose. 

Campanhas e tentativas Durante dois meses, até a semana passada, a secretaria levantou os nomes de todas as pessoas que ainda não haviam tomado a segunda dose e mobilizou equipes de enfermeiros para ir de casa em casa imunizar aqueles que faltavam. Porém, como resposta, recebiam afirmações como:

“Não, porque o presidente falou e eu acredito nele”; não vou tomar vacina”; “tomei na primeira vez por pressão da família, mas agora não”. 

Em um dos casos, os profissionais chegaram a andar mais de 135 quilômetros em um dia para ir em cada propriedade nas regiões mais remotas do Município, mas só conseguiram vacinar oito pessoas. 

O prefeito Milton Amorim (PSC) chegou a decretar a exigência do passaporte da vacina para tentar reverter a baixa adesão e por um tempo funcionou, com o Município chegando a vacinar mil pessoas por dia.

No entanto, a população criticou e pressionou o líder até que ele revogasse o decreto. Hoje Luciano contabiliza que, em dias bons, os profissionais conseguem vacinar cerca de 30 pessoas por dia. A maior aceitação vem dos moradores de 30 a 40 anos. 

“Você faz das tripas coração para fazer algo para a população e o Governo Federal só joga em cima do Município”, afirma. “Se o Governo ajudasse com algo institucional, como em campanhas mais antigas, colaborando com a pauta da saúde, dando o exemplo, acho que teria uma melhor adesão”, finaliza.

Fonte: Repórter em Ação

Jornalista e redator na Empresa O Pantanal OnLine, sob o número 0002048/MT

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