sex. set 24th, 2021

O Contexto Colniza e região – Da alegoria ao factual

Este artigo foi elaborado pelo Sindicato das Indústrias Madeireiras e Moveleiras do Noroeste de Mato Grosso (SIMNO) e tem o intuito de reunir e expor informações sobre os últimos acontecimentos do município de Colniza/MT e região, elucidando as diferentes faces de uma situação que vai muito além do caos que está sendo veiculado nas grandes mídias, pois ali existem milhares de famílias e centenas de empresas idôneas que também necessitam de guarida, e que não merecem ser lançadas no mesmo rol que criminosos.

A leitura completa desse artigo proporcionará aos leitores as ferramentas para discernir os fatos dos exageros, com o devido senso crítico.

OPERAÇÃO SAMAÚMA

A Operação Samaúma foi assim nomeada em homenagem à maior árvore da Floresta Amazônica, que pode chegar a 70 metros de altura, conhecida popularmente como Samaúma ou Sumaúma. Esta operação tem o objetivo de atuar na prevenção e repressão a crimes ambientais em Terras Indígenas e Unidades Federais de Conservação.

Saliente-se que o foco da operação é o combate ao desmatamento ilegal.

Para atingir o objetivo das ações preventivas e repressivas aos delitos ambientais, foi assinado um Decreto pelo Presidente da República autorizando o emprego das Forças Armadas, para a Garantia da Lei e da Ordem (GLO).

Desde o início da operação, em 28 de junho de 2021, já foram mapeados 26 municípios nos estados do Amazonas, Pará, Mato Grosso e Rondônia.

COLNIZA/MT

O município de Colniza, localizado a 1.022 Km da capital Cuiabá encontra-se na divisa entre os estados de Mato Grosso, Rondônia e Amazonas. Tem população estimada em aproximadamente 40 mil habitantes, com densidade demográfica de 0,94 hab./km².

Grande parte da população trabalha diretamente com a atividade madeireira. Levando-se em consideração o tamanho do município e da população, bem como a disponibilidade de empregos em outras atividades existentes na região, a atividade de base florestal tem expressiva relevância para a base da economia local, gerando milhares de empregos diretos e indiretos.

Atualmente são utilizados cerca de 18% de área de florestas pelo manejo florestal sustentável, gerando 500 milhões de reais de renda por meio de uma atividade lícita e benéfica.

Dados de Movimentação de Madeira em Tora

GF1TORAS RECEBIDAS EM M³VALORES EM R$
2020627.457,9929.734.778,28
2021393.598,1918.226.096,22

Dados de Movimentação de Madeira Serrada

GF3MADEIRA SERRADA EM M³VALORES EM R$
2020293.559,03206.062.247,86
2021224.244,27173.308.994,23

Territorialmente, Colniza possui 2,7 milhões de hectares de extensão, localizados integralmente no Bioma Amazônia, divididos em:

  • Terra Indígena: 700 mil ha
  • Unidades de Conservação: 400 mil ha
  • Áreas de Manejo Florestal Sustentável: 197.800 ha
  • Áreas sem uso definido: 1.100.000 ha

Colniza possui 558 empreendimentos cadastrados no Cadastro de Consumidores de Produtos Florestais (CC-SEMA) da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (SEMA/MT), divididos entre extração e coleta.

DIFICULDADES

A logística de Colniza e de seus Distritos é extremamente caótica, devido à péssima qualidade das rodovias não pavimentadas, seja no período da seca, pela grande quantidade de poeira, seja no período das chuvas, com imensos atoleiros espalhados pelo trajeto.

Há muitos anos a população sofre com a dificuldade de acesso e com os inúmeros acidentes que ocorrem nas estradas, gerando grande insegurança aos transeuntes e, em muitos casos, trazendo grandes prejuízos para os empreendimentos da região.

A exemplo disso, a rodovia Federal BR -174/MT, que liga seis municípios (Juruena, Cotriguaçu, Castanheira, Colniza, Aripuanã e Juína), é uma importante via de escoamento para os produtores e possui cerca de 365 quilômetros sem pavimentação, mas sua trafegabilidade depende das condições climáticas e da sorte daquelas que a utilizam.

Outro ponto importante a se destacar é a precariedade do fornecimento de energia elétrica, principalmente no Distrito de Guariba, localizado a 150km de Colniza, cuja estrada de acesso também não é pavimentada. Nesse distrito 100% da economia é baseada na atividade industrial madeireira, empregando a grande maioria dos trabalhadores locais. Guariba é atendido por um sistema elétrico isolado, suprido por uma termoelétrica a óleo diesel.

O Plano de Universalização da área rural da Energisa Mato Grosso, que previa o atendimento a consumidores sem acesso à energia elétrica no município de Colniza, foi adiado para coincidir com as obras do Projeto de Interligação de Guariba, mas ainda não foram concluídos, e a população segue sofrendo com a falta de energia.

 O MANEJO FLORESTAL SUSTENTÁVEL COMO FERRAMENTA DE OPOSIÇÃO AO DESMATAMENTO

O Manejo Florestal Sustentável (MFS) é uma atividade econômica de colheita florestal seletiva, por meio da retirada de árvores maduras previamente selecionadas, com a utilização de técnicas de impacto reduzido que reproduzem os mecanismos naturais do ecossistema, de forma planejada e sem danificar a biodiversidade existente.

Com isto, os serviços ecossistêmicos continuam sendo prestados pela floresta, perpetuando a fauna e a flora, além de promover maior qualidade de vida e desenvolvimento para a sociedade.

Além disso, durante o planejamento da infraestrutura da Área de Manejo, estão incluídas medidas de prevenção e combate a incêndios florestais. A eficácia dessas medidas é comprovada com base no cruzamento de informações obtidas da Sema/MT e do Ibama, que apontam que as áreas de Manejo Florestal não foram atingidas por incêndios nos últimos anos.

Com o MFS, a floresta permanece em pé, pois são retirados somente cerca de 12% do volume total de árvores de porte comercial, e a área manejada ficará averbada na matrícula do imóvel, devendo permanecer intocada por um período que vai de 25 a 35 anos. Isto significa dizer que uma área explorada sob MFS não será desmatada em hipótese alguma.

Imagine se todas as áreas de floresta que estão sem uso definido estivessem sob regime de MFS? Haveria uma redução significativa dos números de desmatamento, sejam eles legais ou ilegais. Além disso, as áreas manejadas são inventariadas, fornecendo informações quantitativas e qualitativas sobre as espécies florestais existentes no local, que são marcadas com placas de identificação e georreferenciadas, ficando estes dados disponíveis para o monitoramento e fiscalização por parte dos órgãos ambientais competentes.

Outro pilar do tripé da sustentabilidade é a economia, e as atividades de base florestal são grandes geradoras de emprego e renda para as regiões onde estão instaladas, contribuindo significativamente para a geração de divisas e desenvolvimento dos municípios e do Estado de Mato Grosso como um todo.

CONCLUSÃO

A ilegalidade afeta toda a população de Colniza, que sofre com prejuízos, inseguranças, e até mesmo descaso, quando se trata de direcionar recursos para investimentos locais, haja vista a falta de pavimentação e de energia na região mesmo após quase 23 anos de fundação do município. Desse modo, a repressão aos crimes ambientais é extremamente necessária, e tem o apoio de todos os cidadãos e empresários idôneos que ali habitam.

Contudo, esta situação não pode se tornar o cartão postal de um município tão rico e com gigantesco potencial de crescimento e contribuição para a economia do estado, como é o caso de Colniza.

Em nome de toda a população local, que tem orgulho de trabalhar, direta ou indiretamente com a madeira nativa, e de tirar o seu sustento e de suas famílias por meio do consumo consciente dos recursos naturais, é necessário reafirmar que a esperança por dias melhores reside no reconhecimento da importância do Manejo Florestal Sustentável e de seus benefícios ao meio ambiente, à sociedade, e à economia. Com o manejo será possível garantir a perenidade de nossas florestas.

Edvaldo Dal Pozzo

Presidente do SIMNO

Jornalista e redator na Empresa O Pantanal OnLine, sob o número 0002048/MT

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