qua. maio 18th, 2022

Muito triste Colniza: “Vamos ver pessoas morrendo e não vamos ter nada o que fazer!” desabafa enfermeira juinense

A profissional desabafou em áudio nas redes sociais e pediu para a população evitar aglomerações.

Num momento em que o Brasil volta a quebrar o recorde de mortes pela Covid-19, 3,6 mil mortes em 24hs, desses, 50 em Mato Grosso, estado esse sem leitos de UTIs disponiveis e com uma fila de espera de 194 pessoas, é desesperador voltar a pedir para a população evitar aglomerações e festas particulares. Neste sábado (27/03) uma enfermeira da rede pública de saúde de Juína, que se identificou como Leandra, desabafou nas redes sociais e juntou sua súplica ao coro que clama, há muito tempo, por isolamento social. 

Abaixo segue escrito o desabado  proferido pela enfermeira: 

Por todo esse histórico que eu tenho com Juína, essa relação de gratidão, que eu nasci e me criei aqui, tenho meus amigos aqui, me casei, tive meus filhos aqui, é que eu venho fazer um apelo, de pedir pra vocês ficarem em casa. Sei que estão cansados de ouvir isso, que tem celebridades pedindo ‘fique em casa’, que não vai ser o meu apelo que vai surtir efeito, mas eu sinto a obrigação de falar com vocês que eu estou muito preocupada, porque nós vimos coisas acontecerem nesse um ano de pandemia, nós vimos muita coisa!.

Eu não sei nem como nós ficamos de pé, como nós conseguimos acordar de tão desesperador que é a situação e eu não quero que vocês passem por isso!. O único motivo do meu apelo é pra que vocês não precisem passar pelas coisas que eu vi!, de vê filho urrando na porta de um quarto, pois vai entubar o pai ou a mãe, pedindo perdão por passar o covid pra eles, um sentimento de culpa, de desespero, e não tem nada que nós possamos fazer a não ser evitar com que isso aconteça com vocês, que aconteça comigo, pois eu tenho meus pais idosos.

Nós temos vontade de estar perto, mas é hora de fazermos uma teleconferência, fazer uma chamada via WhatsApp, usar a tecnologia ao nosso favor. Gente!, nós estamos a beira de um caos! A beira de um caos!, graças a Deus que no nosso município a prefeitura esta conseguindo manter a UTI, esta conseguindo manter oxigênio e insumo, mas não tem mais leitos! Esta tudo lotado, não tem o que fazer, tem que esperar um partir pra ter a vaga pra outro, já estamos assim!, mas ainda estamos conseguindo.

Pensando que tem um feriado de páscoa agora, no final de semana, que as famílias têm  a cultura de se reunir, imagina como que vai ficar depois! Nós passamos isso pós-Ano-novo, pós-Natal, mas tinha os leitos desocupados, e nós vimos pessoas morrendo, morrendo, morrendo, amigos nossos, amigos meus! morrendo, graças a Deus nenhum familiar, mas perdi amigos, agora, imagine depois da páscoa, que já esta lotado agora!…, não sai de casa!, não é a hora pra isso!. Vamos ficar restritos, pelo amor a quem vocês têm por perto, porque alguém vai perder!, então que não seja eu, que não seja você.

Pra isso nós precisamos ficar em casa, e ficar em casa é de porta fechada, não é chamando o vizinho pra fazer churrasco, tem que ter consciência. Tem se falado tanto fique em casa, fique em casa, mas só esta subindo o número de casos!, por quê? Porque em algum momento nós perdemos o medo, alguma estamos fazendo de errado, pois os casos estão aumentando e aumentando e a tendência é aumentar mais, e se aumentar mais nós vamos ver as pessoas morrendo por falta de respirador.

Não queiram passar na pele o que eu vi!, famílias passando, irmão perdendo irmão, brigados pedindo perdão, gritando na porta do hospital perdão pro outro irmão pra que ele escutasse!!!… o paciente olhar pra gente e perguntar ‘eu vou ficar bem?’, você não tem mais pra onde aumentar o oxigênio, você fica olhando a pessoa morrendo afogada ali no seco!!! E você sabe que ali é só intubação e você reza pro organismo dele melhorar!, pelo amor de Deus, gente!, se cuida….nós vamos ver pessoas morrendo e não vamos ter nada o que fazer!.”

Fonte: Repórter em Ação

Colniza está vivendo um momento triste e delicado vários pacientes internados no Hospital André Maggi, e alguns em estado gravíssimo, não temos dados oficiais, pois a prefeitura não repassa as informações, mas o colapso é visível.

Jornalista e redator na Empresa O Pantanal OnLine, sob o número 0002048/MT

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