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Moedas, dinheiro, Real. Brasilia, 03-09-18. Foto: Sérgio Lima/Poder360

Ações da Petrobras, Eletrobrás e Banco do Brasil despencam nesta 2ª feira

Ibovespa chegou a cair 5,31% – Mercado reage a troca no comando

Demissão do presidente da Petrobras é vista como interferência do Poder Executivo na autonomia das estatais. Banco do Brasil e Eletrobras estão sob ameaçaSergio Lima/Poder360

As ações de empresas estatais despencam nesta 2ª feira (22.fev.2021) depois que o presidente Jair Bolsonaro anunciou a troca do comando da Petrobras. Às 10h43, as ações ordinárias da petroleira recuavam 17,20% (ordinárias) e 16,76% (preferenciais). O Banco do Brasil tinha queda de 9,38%. A Eletobras caía 8,11% (ordinárias) e 7,55 (preferenciais).

O mercado reage de forma negativa à decisão do presidente. Diante das altas dos preços do diesel e gasolina, Bolsonaro se mostrou insatisfeito com a política de preços da Petrobras. Caminhoneiros também criticavam os reajustes dos valores nas refinarias. Roberto Castello Branco foi demitido e o general Joaquim Silva e Luna será o novo comandante da empresa.

A Petrobras dizia que não há interferência do Poder Executivo na definição dos preços, que são baseados na cotação do petróleo no mercado internacional e no dólar. O barril do petróleo tipo brent iniciou 2020 custando US$ 51,80. Às 10h50 desta 2ª feira, estava aos US$ 62,85. A alta foi de 21,3% no ano.

As quedas nas ações das companhias criou uma onda de pessimismo entre os investidores e o Ibovespa, principal índice da B3 (Bolsa de Valores de São Paulo), chegou a recuar 5,31% nesta manhã. Operava com queda superior a 5% às 11h. Os operadores avaliam como negativa a interferência do Executivo nas empresas.

Segundo relatório da UBS, a Petrobras teve uma média de 1,7 ano para cada presidente da companhia. Fundada em 1953, a estatal terá seu 39º CEO. As mudanças frequentes do comandante da empresa não são bem-vistas pelo mercado financeiro porque interrompem mudanças estratégicas, gestões e podem minar a credibilidade de investidores de longo prazo.

Também apreendeu os operadores de mercado as declarações do general da reserva Joaquim Silva e Luna, que irá assumir a Petrobras. Em entrevista ao Valor Econômico, afirmou que a empresa tem que enxergar “questões sociais”. A declaração potencializou a especulação de que pode haver interferências nos preços das refinarias para agradar os caminhoneiros.

Bolsonaro acha que a estatal tem sido conduzida de maneira errática por causa dos sucessivos aumentos no preço dos combustíveis. Para o entorno de Bolsonaro, Castello Branco teria cometido improbidade administrativa por ter “desdenhado” da categoria, que reclamava de aumento do preço do diesel em janeiro, ainda sob a pressão da ameaça de greve.

A gota d’água para a troca foi o reajuste anunciado pela Petrobras na 5ª feira (18.fev), de 14,7% no diesel e de 10% na gasolina. Foi o 4º aumento do ano.

A XP Investimento, o Credit Suisse, o BTG Pactual, a UBS o Bank of America e outras instituições financeiras recomendaram saída ou menor exposição às ações da Petrobras e de outras estatais. Relatórios indicam a diminuição de investimentos em empresas brasileiras. Nesta 2ª feira (22.fev.2021), as ações do Banco do Brasil e da Eletrobrás registram queda.

Na estatal financeira, o presidente Jair Bolsonaro já quase demitiu André Brandão depois que ele criou um plano de reestruturação administrativa para demitir mais de 5.500 funcionários e fechar agências. O mercado vê com atenção a possível troca no comando do banco.

A Eletrobras recua depois de Bolsonaro ter dito, no sábado (20.fev.2021), que vai “meter o dedo na energia elétrica”, que seria, segundo ele, “outro problema”.

Jornalista e redator na Empresa O Pantanal OnLine, sob o número 0002048/MT

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