seg. nov 29th, 2021

Família diz que músico foi preso por engano em Niterói; polícia não esclarece como reconhecimento foi feito

Luiz Carlos tem 23 anos e é músico. Ele toca violoncelo e foi preso em uma blitz no centro da cidade. No dia em que foi realizado o registro do crime, Luiz não tinha antecedentes criminais.

A família do músico Luiz Carlos Justino afirma que ele foi preso, nesta quarta-feira (2), por engano em Niterói, na Região Metropolitana. Parentes e pessoas que trabalhavam com Luiz afirmam que, no dia e hora em que aconteceu o crime pelo qual ele está sendo acusado, o músico estava tocando com a Orquestra de Cordas da Grota em outro bairro da cidade.

“Não consigo nem entrar na minha casa. Estou desde quarta sem comer nada, sem dormir direito. Toda hora acordo, às vezes escuto ele me chamar”, afirmou Angélica Costa, mãe de Luiz.

Luiz Carlos tem 23 anos e é músico. Ele toca violoncelo e foi preso em uma blitz no Centro da cidade. Contra ele, segundo a polícia, havia um mandado de prisão em aberto por assalto à mão armada.

O crime pelo qual ele está sendo acusado aconteceu no dia 5 de novembro de 2017, em um domingo, às 8h30.

Amigos e familiares contestam essa versão. Segundo eles, Luiz Carlos tinha contrato fixo com o projeto musical de uma padaria e as apresentações aconteciam justamente no domingo de manhã.

“Inclusive fomos nós que convidamos eles para este projeto, que se chamava Café Musical. Todos os domingos nós também estávamos lá, porque a gente ficava criando conteúdo para veicular nas redes sociais. Então eu tenho certeza absoluta que nesse domingo, no dia cinco de novembro de 2017, eles estavam lá tocando, de 8h às 12h”, afirmou a publicitária Cristina Guerra.https://tpc.googlesyndication.com/safeframe/1-0-37/html/container.html

Ele costumava tocar com o tio.“Todo domingo de manhã a gente tinha contrato com uma padaria. Inclusive a gente tocou lá mais de dois anos. Até agora estou tentando entender isso. Porque para uma pessoa acusar a outra, ela tem que ter a certeza. Como reconheceram, se ele não tinha ficha nenhuma?”, questionou Leandro Justino, que é músico e tio de Luiz.

Segundo o processo, o crime aconteceu na Vila Progresso. O bairro fica a sete quilômetros da padaria onde, segundo as testemunhas, o músico estaria se apresentando.

A esposa afirma que Luiz Carlos é muito distraído e já perdeu os documentos várias vezes. A família desconfia que ele pode ter sido vítima de uma fraude.

“Ele costumava sim perder muito os documentos, perdeu duas ou três vezes. Ele perdeu o documento, e como para ele era só ir lá e fazer outro, alguém usou o documento, usou para fazer alguma coisa e ficou gravado lá o nome dele”, destacou Mariana Soares do Nascimento, esposa de Luiz.

Na decisão da juíza Fernanda Magalhães Freitas Patuzzo, que decretou a prisão preventiva, a magistrada afirma que a prisão é necessária para garantir a tranquilidade da vítima que o reconheceu na delegacia. Mas não esclarece como foi feito este reconhecimento.

Na época, o caso foi investigado pela Delegacia de Jurujuba. O delegado era Cláudio Ascori.

Polícia e MP não explicam

A Polícia Civil foi questionada de que maneira que foi feito o reconhecimento pela vítima, mas a corporação ainda não respondeu. No dia em que foi realizado o registro do crime, Luiz não tinha antecedentes criminais.

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MP-RJ) também foi questionado com base em quais provas colhidas no inquérito se baseiam a decisão de denunciar o músico, mas também não obtivemos retorno até o fim da manhã deste sábado.

Luiz Carlos é o segundo filho de uma família de seis irmãos. Tomou gosto pela música aos seis anos de idade, quando entrou para a Orquestra de Cordas da Grota. O coordenador e antigo maestro o acompanhou desde os primeiros passos.

“Ele sempre estudou e sempre estava tocando lá, e sempre participou, desde as orquestras iniciantes, e hoje ele está na orquestra principal”, explicou o maestro Márcio Paes Selles.

Ainda criança, ele chegou a aparecer em uma reportagem e uma TV da Alemanha, que mostrava as crianças do projeto social.

Família afirma que Luiz Carlos foi preso injustamente — Foto: Reprodução/ TV Globo

Jornalista e redator na Empresa O Pantanal OnLine, sob o número 0002048/MT

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