Colniza(MT): Relator vota por absolver empresário e mais duas pessoas por chacina de Taquaruçu do Norte

O desembargador da 1º Câmara Criminal do Tribunal de Justiça (TJ/MT), Orlando Perri, apresentou voto nesta terça-feira (23.06) para absolver o empresário Valdelir João de Souza e outras duas pessoas acusados de participarem da chacina que vitimou nove pessoas, na Gleba Taquaruçu do Norte, em Colniza, (a 1.065 km de Cuiabá), em abril de 2017. O julgamento do recurso foi adiado após pedido de vistas compartilhado entre o o
desembargador Marcos Machado e a juíza substituta Glenda Moreira
Borges.

Valdelir é acusado de ser mandante do crime. Pedro Ramos Nogueira que
é considerado executor do crime.

Na época dos fatos, o MP apontou que o empresário contratou quatro
pessoas, entre eles Pedro Ramos, que integravam um grupo de
extermínio denominado “os encapuzados”, conhecidos na região como
matadores de aluguel, sendo contratados para ameaçar e executar
pessoas.

Consta da denúncia, que o grupo a foram até Taquaruçu do Norte munidos
de armas de fogo e arma branca, onde executaram Francisco Chaves da
Silva, Edson Alves Antunes, Izaul Brito dos Santos, Alto Aparecido Carlini,
Sebastião Ferreira de Souza, Fábio Rodrigues dos Santos, Samuel
Antônio da Cunha, Ezequias Satos de Oliveira e Valmir Rangel.

A defesa de Valdelir ingressou com Recurso em Sentido Estrito
requerendo a nulidade da decisão que pronunciou o empresário como um
dos envolvidos no crime.

Segundo a defesa, no próprio inquérito policial Valdelir não foi indiciado como participe no crime, e que depoimentos contraditórios foram usados para relacionar o empresário a chacina. Ainda segundo a defesa, no dia 28 de maio de 2018, foi elaborado uma investigação complementar em que foi relatado que uma pessoa chamada “Marco Antônio” teria sido a mandante do crime, e que a chacina estaria ligada a limpeza da terra em que as vítimas foram mortas.

“O próprio Ministério Público anexou aos autos essa investigação
complementar e que cita que o mandate seria esse Marco Antônio. Existe
áudios de gravações telefônicas sobre essa descoberta”, diz trecho do
pedido.

Sobre Pedro Ramos, a defesa apontou que no período do crime ele
estava leishmaniose não podendo colocar o pé no chão, e desta forma
não participar do crime. Além disso, nove testemunhas afirmaram que na
época da chacina o acusado na cidade de Guató a 40 km de Colniza.
O relator do recurso na 1º Câmara Criminal, desembargador Orlando
Perri, afirmou que ficou comprovado que Pedro Ramos não participou do
crime e que as investigações sobre crime, “que estão sendo feitas a passo
de tartaruga”, sic, segundo o magistrado, apontaram que outras pessoas
teriam participado do crime.

“Não vou aqui citar nomes. Mas, os fatos contra estes suspeitos são mais verdadeiros executores e mandates do crime. Isso foi um caso de repercussão nacional.

É preciso encontrar os responsáveis. A Polícia Civil precisa deixar de priorizar traficozinho e estupro. É preciso priorizar este fato.

Mas, este homem que está preso há três anos não é o executor do
crime. E nem o outro executor”, disse o magistrado ao proferir seu voto
absolvendo os réus, determinado a revogação da prisão de Pedro e anular
mandado de prisão expedido contra Valdelir. A decisão consta com mais
de 157 páginas.

Além deles, o magistrado mandou absolver Paulo Neves Nogueira
sobrinho de Pedro Ramos Nogueira.

Porém, o desembargador Marcos Machado, pediu vistas do processo,
adiantando apenas o voto por despronunciar Paulo Neves Nogueira. A juíza
substituta Glenda Moreira Borges compartilhou pedido de vistas.

Fonte: VG Notícias

Jornalista e redator na Empresa O Pantanal OnLine, sob o número 0002048/MT

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