Mais uma criança morre soterrada no ES; sobe para 9 o número de mortos por conta das chuvas

Criança morreu após deslizamento de terra no município Conceição do Castelo. Mais de 3,8 mil pessoas estão fora de casa, segundo boletim da Defesa Civil

A Corpo de Bombeiros confirmou, na manhã deste sábado (25), a morte da 9ª vítima da chuva que atinge o Espírito Santo nos últimos dias. Trata-se de uma criança que morreu soterrada, em Conceição do Castelo. Mais cedo, já havia sido confirmada a morte da 8ª vítima, que também é uma criança, em Iúna. O último boletim da Defesa Civil, divulgado às 11h, contabiliza mais de 3,8 mil pessoas fora de casa.

A Defesa Civil empregou plano de alerta máximo no Estado. Desde sexta-feira (17), o Espírito Santo sofre as consequências do temporal, que levou quatro cidades a decretarem estado de calamidade pública. Nesta sexta-feira (24), voltou a chover forte em algumas regiões e novos municípios foram prejudicados por alagamentos e deslizamentos.

“Várias ocorrências de deslizamentos de terra, alagamento a órgãos públicos, hospitais, terminais rodoviários. Realmente, a situação é grave no extremo sul do Estado”, disse o tenente-coronel.

Das nove mortes registradas desde o dia 17, duas aconteceram neste sábado (25). O Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil informaram que ainda não têm mais detalhes sobre esses casos, pois as equipes ainda estão em campo. Até o momento, não há desaparecidos.

Há diversos pontos de interdição parcial e total em estradas e rodovias que cortam o Estado, o que dificulta a operação de resgate e a comunicação das equipes, em alguns casos.

Ao todo, são 3.827 pessoas fora de casa, sendo 3.678 desalojados e 149 desabrigados nos municípios de Iconha, Alfredo Chaves, Vargem Alta, Anchieta, Rio Novo do Sul, São Roque do Canaã, Irupi, Mimoso do Sul, Iúna, Apiacá e Conceição do Castelo.

Nível do rio sobe e criança morre soterrada em Iúna, no ES

Nível do rio sobe e criança morre soterrada em Iúna, no ES

Cidades atingidas

Doze municípios do Sul do Espírito Santo ficaram debaixo d’água. Os maiores volumes de chuva nas últimas 24 horas foram registrados nos municípios de Irupi (170 mm), Muniz Freire (152 mm), Iúna (137 mm) e Venda Nova do Imigrante (129 mm).

Mas várias outras cidades também foram prejudicadas pela chuva e a cheia dos rios. Castelo é uma das cidades com a situação mais crítica. Lá, o nível do rio subiu entre 6 e 8 metros, causando alagamentos de grandes proporções.

CASTELO - 25/01/2020: Foto feita da Rodoviária da cidade, no início da manhã — Foto: Arquivo Pessoal

CASTELO – 25/01/2020: Foto feita da Rodoviária da cidade, no início da manhã — Foto: Arquivo Pessoal

A cidade de Iúna também teve muitos pontos alagados. Na cidade, um deslizamento de terra matou uma criança.

IÚNA - 25/01/2020: Imagens de drone mostram cidade alagada após chuva — Foto: Samuel Liberato

IÚNA – 25/01/2020: Imagens de drone mostram cidade alagada após chuva — Foto: Samuel Liberato

Em Cachoeiro de Itapemirim, no distrito de Conduru, várias famílias ficaram ilhadas e só conseguiram deixar as casas com ajuda dos bombeiros. Um morador, com um bote, ajudou outras pessoas.

No distrito de Conduru, em Cachoeiro de Itapemirim, famílias estão ilhadas dentro de casa — Foto: Gustavo Ribeiro / TV Gazeta

No distrito de Conduru, em Cachoeiro de Itapemirim, famílias estão ilhadas dentro de casa — Foto: Gustavo Ribeiro / TV Gazeta

Rodovias bloqueadas

A chuva também causou bloqueios e interdições nas rodovias federais e estaduais que cortam o Espírito Santo. De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), são vários os pontos da BR-262 onde há restrição para o tráfego por conta de queda de árvores, barreiras e alagamentos.

“Há destruição das estradas, bloqueio, pontos de interdição tanto na BR-101 quanto na BR-262”, disse o tenente-coronel.

Quedas de barreiras bloqueiam rodovias no Espírito Santo — Foto: Daniela Carla / TV Gazeta

Quedas de barreiras bloqueiam rodovias no Espírito Santo — Foto: Daniela Carla / TV Gazeta

Chuva em janeiro

O Sul do Espírito Santo foi atingido por uma forte chuva na noite do dia 17 de janeiro. Por conta do volume de água, o nível de rios subiram, o que agravou os alagamentos.

Em Iconha, cidade mais castigada pelo temporal, uma enxurrada tomou conta das ruas, destruindo casas, pontes e deixando um rastro de lama e destruição. No município, quatro pessoas morreram e uma continua desaparecida.

Além de Iconha, outros três municípios também ficaram em situação crítica e decretaram situação de calamidade pública: Vargem Alta, Alfredo Chaves e Rio Novo do Sul.

Cerca de 40 militares do Exército Brasileiro estão com uma base em Iconha e auxiliam os trabalhos do Corpo de Bombeiros e Defesa Civil na região. Um mutirão de limpeza foi convocado pelo governador, Renato Casagrande, para este sábado (25).

Na noite desta sexta-feira (24), a chuva voltou a cair com mais intensidade e causou prejuízos em outras cidades.

Jornalista e redator na Empresa O Pantanal OnLine, sob o número 0002048/MT

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