Por herança de R$ 800 mil, madrasta é acusada de envenenar enteada veja vídeo

Parece conto da Branca de Neve, mas não é! Aconteceu em Cuiabá. A Delegacia Especializada de Defesa da Criança e do Adolescente (Deddica) prendeu nesta segunda (9) uma mulher de 42 anos, acusada de envenenar e matar a enteada de 11 anos em junho deste ano, de olho em uma herança de R$ 800 mil.

Segundo a Polícia Civil, com doses diárias de veneno de venda proibida em dois meses Jaira Gonçalves de Arruda matou a menina de gota a gota.

Segundo a Deddica o crime teve incío em abril e a menina, Mirella Poliana Chue de Oliveira, morreu de “causa indeterminada”. A vítima deu entrada em um hospital particular, já morta.

Inicialmente houve suspeita de meningite, bem como de abuso sexual, pois havia inchaço na genitália, mas depois foi descartado o abuso durante a necropsia do IML, da Politec. O laudo pericial apontou morte por causa indeterminada.

A Politec colheu materiais para exames complementares que foram realizados pelo Laboratório Forense. Pesquisa Toxicológica Geral detectou no sangue da vítima duas substâncias, uma delas veneno que provoca intoxicação crônica ou aguda e a morte.

“Essa substância não é encontrada em medicamentos, portanto, sua ingestão por humanos somente pode ocorrer de forma criminosa. Os sintomas da ingestão são: visão borrada, tosse, vômito, cólica, diarréia, tremores, confusão mental, convulsões, etc”, explicaram os delegados Francisco Kunze e Wagner Bassi, que conduzem as investigações.

Conforme os delegados, as investigações apontam para autoria da madrasta. “Notamos que a menina era envenenada a conta gotas, ou seja, ela ia dando um pouquinho do veneno, para não aparecer, porque chega no hospital, a criança está passando mal, morre de causa indeterminada, por alguma infecção, pneumonia, meningite, como muitas vezes suspeitaram”, detalham a trama.

Os delegados informaram que todas as vezes que a menina passava mal era socorrida e levada ao hospital, onde ficava internada de 3 a 7 sete dias e melhorava, em razão de ter cessado a administração do veneno. Mas, ao retornar para casa, voltava a adoecer novamente.

O sofrimento da menina durou cerca de dois meses, período em que foi internada por nove vezes em hospitais particulares.

Na última vez que foi parar no hospital, já chegou morta. Por conta disso, o hospital não quis declarar o óbito, mas suspeitava de ser meningite.

Na ocasião, foi acionada a Delegacia Especializada de Homicídio e Proteção a Pessoa (DHPP), que diante de falta de evidências sobre morte violenta, requisitou vários exames por precaução. Em um desses exames periciais foi detectada a substância venenosa no sangue da menina.

Motivação

Assim, o caso foi encaminhado à Deddica que procedeu com toda a investigação descobrindo o plano de envenenando, por conta de um herança milionária que a menina tinha recebido, ao nascer, fruto de uma indenização pela morte de sua mãe, durante parto dela em um hospital, na Capital, por erro médico.

A ação foi movida pelos avós maternos da criança, que ingressaram na Justiça reivindicando indenização. Em 2019, após 10 anos, o processo encerrou, com causa ganha à família. O valor de obtido, de R$ 800 mil, incluindo os descontos de honorários advocatícios, teria atraído a atenção da madrasta.

Parte do dinheiro ficaria depositado em uma conta para a menina movimentar somente na idade adulta. A Justiça autorizou que fosse usada um pequena parte do dinheiro para despesas da criança, mas a maior quantia ficaria em depósito para uso após a maioridade, aos 24 anos.

O pagamento da ação iniciou em 2019. Até 2018, a menina era criada pelo avós paternos. Em 2017, a avó morreu e no ano seguinte (2018) o avô faleceu também, passando a garota a ser criada, naquele mesmo ano, pelo pai e madrasta. A partir daí iniciou o plano da mulher para matar a criança com o objetivo de ter acesso ao dinheiro.

“Mas quem era responsável mesmo era a madrasta e ela quem gerenciava os cuidados com a menina”, afirmam os delegados Francisco Kunze e Wagner Bassi.

A mulher, que não teve o nome divulgado ainda, foi ouvida após a morte da menina e contou que convive com o pai da vítima desde que ela tinha 2 anos de idade e que se considerava mãe dela. Ela declarou que a afilhada começou a ficar doente em 17 de abril de 2019, apresentando dor de cabeça, tontura, dor na barriga e vômito.

A suspeita foi levada, no camburão, para a sede da Deddica, em Cuiabá, onde chegou chorando. (Com Assessoria)

Veja vídeo da chegada da madrasta à delegacia

Fonte: RDNEWS

Jornalista Renato Pantanal

Jornalista e redator na Empresa O Pantanal OnLine, sob o número 0002048/MT, em 21/08/2014, conforme processo nº 46210.001548/2014-14

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