Mãe denuncia piquete agressivo e coação do Sintep contra professores em MT

Segundo mulher, profissionais são obrigados a aderir ao movimento

A mãe de uma criança matriculada na creche Maria Eunice acusa integrantes do Sindicato dos Trabalhadores do Ensino Público (Sintep), o porteiro e a diretora da instituição de coagirem os professores a participar da greve iniciada na segunda-feira (27) na rede estadual de educação. Corretora de imóveis, Andreza Todeschini afirmou ao FOLHAMAX que, paramentados com camisetas do Sintep e da Central Única dos Trabalhadores (CUT), cinco pessoas, três homens e duas mulheres, ameaçavam pais e professores com o intuito de forçar adesão.

Além disso, teriam dito que se estes tirassem fotos da militância, iriam “sofrer as consequências depois” e ser alvos de processo. “Eles tiraram fotos das mães e avisaram que era pra, se fôssemos pra mídia, eles saberiam quem somos e iriam atrás de nós. Eram todos do Sintep e da CUT. Eles gritam e ameaçam”, contou.

Para se protegerem, as mães foram até a base da Polícia Militar situada no CPA e se dirigiram nesta tarde ao Ministério Público Estadual para formalizar uma queixa. Dona Andreza também afirma ter visto um porteiro e a diretora da unidade que atende crianças de dois a cinco anos autorizando a entrada, recebendo e orientando os militantes. “Realizaram uma assembleia no meio do refeitório. E eles criam um clima tenso, de muita gritaria. Temíamos pela segurança de nossas crianças, que estavam ouvindo tudo, pois o refeitório fica localizado exatamente no meio da creche. Tenho várias fotos e vídeos da ação deles e da coação”, argumentou.

As creches Maria Eunice Duarte de Barros e Nasla Joaquim Aschar, ambas localizadas nas imediações da avenida Historiador Rubens de Mendonça e Centro Político Administrativo (CPA), são as duas únicas disponibilizadas, construídas e geridas pelo governo do Estado. Com esta, somam duas as denúncias de suposta ingerência agressiva de militantes de sindicatos envolvidos em virtuais tentativas de obrigar professores a participar do movimento grevista.

O outro caso teria acontecido na Escola Estadual de Ensino Médio Marcelina de Freitas, localizada no bairro Santa Amália, na manhã de terça-feira (28). 

OUTRO LADO

Presidente da Subesede do Sintep em Cuiabá, João Custódio disse que as acusações não representam a verdade e que ele mesmo era um dos representantes do Sintep presentes na creche Maria Eunice Duarte na manhã desta sexta-feira (31). Estava lá ao meio-dia, diz, apenas porque saíra de uma atividade na porta do Palácio Paiaguás e tinha uma reunião agendada na creche para definir se os colegas professores iriam paralisar ou não suas atividades em apoio à greve.

“Fomos lá e a creche paralisou as atividades. Na verdade, vi duas mães sentadas lá, mas a gente não conversou com elas. Tinha um pai presidente do conselho, com quem conversei dois minutos no máximo, junto com a diretora da escola, e depois eu entrei para a sala de reunião, onde estavam todos os profissionais. Reunião esta que foi calma, tranquila, e fiz os nossos esclarecimentos sindicais a respeito da paralisação. Não tenho informações outras sobre isso que você está me falando”, disse, por telefone.

Ainda segundo o presidente municipal do Sintep, é normal que uma mãe que não queira que o profissional seja valorizado faça esse tipo de intervenção, mas se ela tem uma denúncia, que registre um boletim de ocorrência. “Não teremos problema em responder ao que aconteceu lá. Porque nosso entendimento é que se a mãe registrou o b.o., ela tem que representar. Só não sei contra quem vai ser, se a mim ou outra pessoa. Vamos responder com muita tranquilidade, mas se levantar falso testemunho, e sou eu quem estou dizendo, fizer alguma acusação indevida, isso pode reverter contra ela”.

Provocado a responder qual seria o objetivo da denunciante e se ele não teria se exaltado em nenhum momento, foi enfático. “Somos profissionais da educação, não temos essa prática e não fazemos isso nunca. Nossas idas nas escolas são sempre pacíficas. E ao contrário, algumas pessoas que passaram numa atividade no centro, se dizendo apoiadores do Bolsonaro, gritaram algumas coisas, mas nós passamos tranquilos por isso. Repito, enquanto categoria, iremos responder sem nenhum problema”.

O governador Mauro Mendes (DEM), por seu turno, voltou a afirmar que não há caixa nem recursos ou meios para atender a pauta de reivindicações dos profissionais, como os 7,63% relativos à Lei 510/2013 ou a Revisão Geral Anual (RGA) e que o Executivo vai usar o precedente dado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para cortar o o ponto dos professores que não forem dar aulas.

Jornalista Renato Pantanal

Jornalista e redator na Empresa O Pantanal OnLine, sob o número 0002048/MT, em 21/08/2014, conforme processo nº 46210.001548/2014-14

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