Mauro pede que professores de MT “ponham a mão na consciência”

Governador explica que Estado não tem condições honrar eventuais acordos

O governador Mauro Mendes (DEM) pediu aos educadores que “coloquem a mão na consciência” e compreendam a atual situação econômica do Estado. O pedido se refere à greve deflagrada pela classe na segunda-feira iniciada oficialmente na segunda-feira. Ao pedir a compreensão dos profissionais, o governador alegou que não adianta atender aos requerimentos feitos e, na prática, não conseguir cumprir.

O posicionamento do chefe do Executivo foi dado em entrevista ao programa Resumo do Dia, da emissora TBO. “De que adianta você dar aumento e aí atrasar um mês, dois meses, quatro meses? Como já existem em alguns estados brasileiros com salário atrasado. Então, eu tenho dito aos servidores que é hora de a gente colocar a mão na consciência pra que a gente possa ajudar a recuperar o estado de Mato Grosso. Eu tenho feito a minha parte, a sociedade não aguenta mais aumento de impostos. Porque, se não tem o dinheiro hoje pra pagar o salário existente, se nós dermos mais aumento, nós teremos que aumentar impostos, e eu tenho certeza que o cidadão não quer isso, não aguenta mais aumento de impostos”, argumentou.

Além de alegar a falta de recursos para atender aos pedidos da classe, o governador também elencou que os professores estaduais de Mato Grosso já recebem o 3º melhor salário do país, em comparação às outras 26 unidades da Federação. Nas palavras do governador, é possível oferecer aumento e reajuste salarial aos professores, mas não neste momento, em que, segundo números do Governo, a arrecadação está em desequilíbrio com as contas do Estado.

A greve geral dos educadores – cuja classe aborda os profissionais de todas as áreas da Educação Pública – foi deflagrada na última semana e foi iniciada, oficialmente, ontem. Eles exigem a concessão da RGA (Revisão Geral Anual), cujo objetivo é repor a perda inflacionária sofrida pela classe nos últimos 12 meses, semelhante ao reajuste do salário mínimo, que entra em vigor todo 1º de janeiro de cada ano.

Além da RGA, os professores também cobram o aumento real de 7,69% em seus salários, em cumprimento à Lei da Dobra do Poder de Compra, aprovada em 2013, durante a gestão Silval Barbosa, com o objetivo de valorizar a classe, dobrando o valor de seus salários no período de 10 anos, com expectativa de conclusão em 2023.

A classe também reivindica melhores condições de trabalho, com melhores estruturas para alunos e servidores. Com pouco mais de 24 horas de seu início, o Governo já anunciou o corte do ponto dos servidores, em atendimento ao novo entendimento do STF (Supremo Tribunal Federal), que firmou acórdão com a interpretação de que servidores em greve não devem receber pelos dias paralisados.

No caso dos educadores, única classe que precisa repor os dias de greve para não comprometer o ano letivo dos alunos, o Estado pagará o salário proporcional aos dias trabalhados no mês de maio. Caso a greve perdure no mês de junho, só serão pagos os dias trabalhados.

Por exemplo, se a greve durar por todo o mês de junho, os servidores não receberão seus salários pertinentes a este mês. Porém, com o fim da greve e as reposições, os professores receberão, além do salário pelos dias trabalhados, o equivalente aos dias repostos.

Jornalista Renato Pantanal

Jornalista e redator na Empresa O Pantanal OnLine, sob o número 0002048/MT, em 21/08/2014, conforme processo nº 46210.001548/2014-14

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