Corpo de Arthur Lula da Silva, neto do ex-presidente Lula, é velado em SP

Ele morreu nesta sexta (1º) vítima de meningite meningocócica. Cerimônia ocorre no cemitério Jardim das Colinas, em São Bernardo do Campo. Ex-presidente foi liberado pela Justiça para participar do velório.

O corpo de Arthur Lula da Silva, de sete anos, neto do ex-presidente Lula, é velado na noite desta sexta-feira (1°) no Cemitério Jardim das Colinas, em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista.

Parentes e amigos acompanham a cerimônia, que teve início por volta das 22h. Arthur morreu nesta sexta vítima de meningite meningocócica.

A Justiça Federal autorizou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a participar do velório do neto.

Arthur Lula da Silva, de 7 anos, neto do ex-presidente Lula, morre de meningite — Foto: Reprodução/Facebook

Arthur Lula da Silva, de 7 anos, neto do ex-presidente Lula, morre de meningite — Foto: Reprodução/Facebook

Arthur deu entrada no Hospital Bartira, em Santo André, às 7h20 desta sexta-feira com “quadro instável” e faleceu às 12h11 “devido ao agravamento do quadro infeccioso de meningite meningocócica, segundo a assessoria da Rede D’Or São Luiz, da qual o hospital faz parte.

A Prefeitura de São Bernardo do Campo disse, em nota, que o departamento de Vigilância Sanitária de São Bernardo foi acionado pelo Darwin Central School e se dirigiu ao colégio onde Arthur estudava para esclarecer todas as dúvidas sobre a doença para os pais e funcionários.

Funcionários informaram que os alunos que estudavam na mesma sala do garoto receberam os medicamentos de profilaxia para meningite. Profissionais da escola também.

O texto diz ainda que a investigação sobre a morte de Arthur será realizada pela Vigilância Sanitária de Santo André, cidade onde Arthur residia.

Lula, o neto Arthur, e dona Marisa no aniversário de 70 anos do ex-presidente — Foto: Ricardo Stuckert/G1

Lula, o neto Arthur, e dona Marisa no aniversário de 70 anos do ex-presidente — Foto: Ricardo Stuckert/G1

Por volta das 21h, o colégio Darwin Central School publicou em seu perfil nas redes sociais um texto em solidariedade à família de Lula e homenagem ao aluno.

“É com muito pesar que vimos trazer a triste notícia do falecimento de nosso amado aluno Arthur. Não existem palavras para expressar nossos sentimentos. O Arthur é único e insubstituível, com certeza, deixou o mundo com muita saudade. Sentiremos falta de seu brilho e alegria. Oremos a Deus para que conforte o coração dos familiares e amigos. Muito respeitosamente prestamos nossas condolências e oferecemos os mais sinceros pêsames. Equipe Darwin Central School.”

Colégio onde Arthur estudava prestou homenagem à criança nas redes sociais  — Foto: Reprodução/Redes Sociais

Colégio onde Arthur estudava prestou homenagem à criança nas redes sociais — Foto: Reprodução/Redes Sociais

Meningite

As meninges são as membranas que envolvem todo o sistema nervoso central. A meningite ocorre quando há alguma inflamação desse revestimento, causado por micro-organismos, alergias a medicamentos, câncer e outros agentes.

Os principais sintomas da meningite são dor de cabeça, febre e confusão mental. Nem sempre há rigidez na nuca, e o teste não pode ser feito por um leigo apenas ao baixar a cabeça – só um médico pode avaliar o quadro corretamente.

O diagnóstico “padrão ouro” ocorre pelo exame do líquor, líquido que banha o sistema nervoso. A cor do líquor já indica se a meningite é por bactéria ou vírus.

A meningite é transmitida quando pequenas gotas de saliva da pessoa infectada entram em contato com as mucosas do nariz ou da boca de um indivíduo saudável. Pode ser por meio de tosse, espirro ou pelo contato com barras de apoio dos ônibus, por exemplo. Por isso, ambientes com muita gente e pouca circulação de ar são ideais para o contágio, e a doença costuma se espalhar muito no inverno. Lave bem as folhas das verduras e mantenha as mãos sempre limpas.

Irmão

Vavá, irmão de Lula, morreu em 29 de janeiro e a juíza responsável pela execução da pena do ex-presidente, Carolina Lebbos, negou pedido para ele sair da prisão. Os advogados recorreram ao Tribunal Regional da 4ª Região (TRF-4), mas o desembargador Leandro Paulsen manteve a sentença. A defesa então foi ao Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a saída.

No pedido apresentado à Suprema Corte, a defesa argumentou que a Lei de Execução Penal prevê o “direito humanitário” de o ex-presidente comparecer ao velório.

Segundo a norma, os condenados que cumprem pena em regime fechado ou semi-aberto e os presos provisórios podem obter permissão para sair da cadeia, desde que escoltados, quando há o falecimento ou doença grave do cônjuge, companheira, ascendente, descendente ou irmão.

“Não é possível tornar os direitos dos cidadãos brasileiros letra morta diante de considerações consequencialistas, ancoradas sobre os argumentos burocráticos da reserva do possível ou da preservação da ordem pública, especialmente quando tais questões podem ser facilmente solucionadas”, disse a defesa no documento.

Os advogados do ex-presidente ainda argumentaram que mesmo preso durante a ditadura militar, em 1980, Lula teve autorização para comparecer ao velório da mãe, Eurídice Ferreira Mello, a Dona Lindu.

A defesa de Lula conseguiu no Supremo Tribunal Federal (STF) a autorização para que o ex-presidente se encontrasse com familiares em São Bernardo.

A decisão de liberar Lula para ir à cidade do ABC foi proferida pelo presidente da Corte, Dias Toffoli, de plantão no recesso do Judiciário. Ela saiu pouco antes de o corpo de Vavá ser sepultado, e Lula não foi ao enterro.

Jornalista Renato Pantanal

Jornalista e redator na Empresa O Pantanal OnLine, sob o número 0002048/MT, em 21/08/2014, conforme processo nº 46210.001548/2014-14

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