Juiz aceita denúncia e tenente-coronel vira réu por assediar sexualmente policiais em MT

Joel Outo Matos, de 48 anos, teria cometido assédios quando era comandante do batalhão da PM. Em rede social, ele negou as acusações e disse que a situação foi forjada.

A Justiça de Mato Grosso aceitou denúncia contra o tenente-coronel Joel Outo Matos, de48 anos, por assediar sexualmente jovens policiais militares. Agora réu, Joel teria cometido um dos assédios quando era comandante do batalhão da PM em Vila Rica, a 1.276 km de Cuiabá. O G1 não conseguiu localizar a defesa do tenente-coronel.

A denúncia foi aceita pelo juiz Murilo Moura Mesquita, da 11ª Vara Criminal Especializada da Justiça Militar.

De acordo com a denúncia do Ministério Público Estadual (MPE), Joel se aproveitava do cargo para assediar as policiais que eram investigadas ou alvos de processos administrativos. Em troca, ele prometia ‘aliviar a barra’ para não puni-las.

Em uma nota divulgada em uma rede social, o tenente-coronel negou as acusações. Ele disse que a situação foi forjada por uma policial militar.

Joel deve responder pelo crime de concussão. Ele é acusado de exigir vantagem indevida de jovens PMs, pressionando-as para a prática de relações sexuais.

No aceitamento da denúncia, o juiz agendou para o dia 12 de fevereiro de 2019 as oitivas das testemunhas arrolados pela acusação. Na denúncia, assinada pelo promotor de Justiça Allan Sidney do Ó Souza, foram apresentadas declarações de três vítimas.

Ainda no despacho, o juiz declinou da competência jurisdicional para julgar o crime cometido em Vila Rica.

Denúncias

Uma das policiais que denunciou o tenente-coronel é uma PM que foi investigada por suspeita de ter sequestrado, ameaçado e agredido uma moradora da região com quem teria uma desavença pessoal. A situação ocorreu em 2016.

Segundo consta a denúncia, a policial passou a sofrer constantes exigências por parte do tenente-coronel para que ficasse com ele e tivesse relações sexuais.

Em troca, o tenente iria ‘aliviar’ e ‘não ferraria’ na investigação contra ela por causa do episódio daquele ano.

A policial, ao negar os pedidos, era ameaçada e informada que ‘perderia a farda’.

Os assédios ocorreram por quase oito meses pelo WhatsApp e também no gabinete do comando da PM.

Em outro caso, com outra policial e no mesmo ano, a segunda vítima relatou que passou a ser assediada depois de registrar um boletim de ocorrência contra o companheiro dela, também PM em Vila Rica.

A policial afirmou que o tenente-coronel interferiu na situação e passou a dizer que ‘a única forma de ajudá-la e não prejudicá-la, era ter relação sexual com ele’.
Outro lado

O tenente-coronel declarou, em uma rede social, que o caso é de ‘uma acusação leviana de uma criminosa’.
Ele explicou que naquele ano recebeu uma ligação dizendo que a policial havia sequestrado uma jovem e tentado matá-la.

“De imediato determinei o afastamento dela do serviço operacional, instauração de procedimento administrativo, onde a mesma foi punida com prisão”, explicou o tenente-coronel.

“Tal mediada não agradou a policial militar, que achando que eu a prejudicava formulou denúncia com o objetivo inicial de me afastar do comando local da PM, forjando mensagens de WhatsApp”, completou.

O policial conclui dizendo que o abuso nunca aconteceu e que ‘Deus vai fazer Justiça’.

Jornalista Renato Pantanal

Jornalista e redator na Empresa O Pantanal OnLine, sob o número 0002048/MT, em 21/08/2014, conforme processo nº 46210.001548/2014-14

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