Foragido, denunciado por 9 mortes em Colniza – MT pode não receber sentença, alerta promotor

O promotor Kawamura, que substitui o colega Willian Oguido Ogama, assumiu as atividades em Colniza no início de abril deste ano.

Compor a ação penal que julga o “maior caso de violência aos direitos humanos da última década no Estado de Mato Grosso” é uma “responsabilidade muito grande”, admite o recém empossado chefe da 1ª Promotoria de Justiça Criminal de Colniza, Aldo Kawamura Almeida.

Neste dia 20 de abril de 2018, a chamada “Chacina de Colniza” completa um ano. A tragédia ceifou a vida de nove pessoas na área rural de Taquaruçu do Norte (a 1.065 km de Cuiabá).

Ao Olhar Jurídico, o promotor avaliou o andamento do processo e adiantou: os réus, à exceção do suposto mandante, Valdelir João de Souza, poderão receber sentença de pronúncia até o fim deste ano.
São réus nesta ação penal, além de Valdelir (o “Polaco Marceneiro”, apontado como mandante do crime): Pedro Ramos Nogueira (vulgo “Doca”), Paulo Neves Nogueira, Ronaldo Dalmoneck (o “Sula”) e Moisés Ferreira de Souza (conhecido como “Sargento Moisés” ou “Moisés da COE”).

Os acusados foram denunciados por homicídio com três qualificadoras (mediante pagamento, tortura e emboscada). A motivação do crime, de acordo com a denúncia era expulsar os trabalhadores para que os acusados pudessem promover a extração de recursos naturais, principalmente madeira e minérios.

O promotor Kawamura, que substitui o colega Willian Oguido Ogama, assumiu as atividades em Colniza no início de abril deste ano. Ele concedeu entrevista ao Olhar Jurídico na tarde desta quinta-feira (20), mas negou-se a falar no quesito segurança.

“É uma responsabilidade enorme, um processo complexo como este, de um caso grave de violação aos direitos humanos, com vítimas brutalmente assassinadas, com vários réus, sendo um deles foragido, o suposto mandante”, avaliou.

Sobre a expectativa para a sentença, cuja espera angustiante completa um ano nesta quinta-feira (20), o promotor avalia que a sentença de pronúncia poderá sair ainda neste ano. “Quando então serão levados ao Tribunal de Júri Popular, para julgamento da sociedade”.

O único réu que vislumbra a triste face da impunidade é Valdelir João de Souza, o suposto mandante do crime. Ele está foragido e assim siga, ficará impossibilitado, por motivos legais, de receber sentença de pronúncia. Mesmo à revelia, isto é, quando não há apresentação de contestação por parte do réu, dentro do prazo valido.

“Conseqüentemente, ele não poderá ser levado à Júri Popular”, lamenta o promotor.

Entenda o crime:

Conforme a denúncia, os cinco integram um grupo de extermínio denominado “os encapuzados”, conhecidos na região como “guachebas”, ou matadores de aluguel, contratados com a finalidade de praticar ameaças e homicídios.

No dia da chacina, Pedro, Paulo, Ronaldo e Moisés, a mando de Valdelir, foram até a Linha 15, munidos de armas de fogo e arma branca, onde executaram Francisco Chaves da Silva, Edson Alves Antunes, Izaul Brito dos Santos, Alto Aparecido Carlini, Sebastião Ferreira de Souza, Fábio Rodrigues dos Santos, Samuel Antonio da Cunha, Ezequias Satos de Oliveira e Valmir Rangel do Nascimento.

O grupo de extermínio percorreu aproximadamente 9 km – praticamente toda a extensão da Linha 15 – onde foram matando, com requintes de crueldade, todos os que encontraram pelo caminho.

Taquaruçu do Norte fica em uma área de conflito, em que cerca de cem famílias estão abrigadas. Há informações preliminares, que ainda carecem de confirmação, de que um grupo denominado de “Encapuzados” faz a segurança de fazendeiros da região. Em 2011, o local já foi palco da expulsão de cerca de 700 famílias.

Fonte: Olhar Direto

Jornalista Renato Pantanal

Jornalista e redator

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