Ex-senador de MT presta depoimento sobre esquema de desvio no Detran

Antero Paes de Barros foi ouvido sobre fraude em licitação e desvio de dinheiro público no Detran. O esquema é investigado na Operação Bereré.

O ex-senador de Mato Grosso, Antero Paes de Barros, prestou depoimento à Delegacia Especializada em Crimes Fazendários e Contra a Administração Pública (Defaz) sobre o esquema de desvio no Departamento Estadual de Trânsito (Detran-MT). A fraude é apurada na Operação Bereré. Deputados, um secretário estadual, servidores e empresários são investigados.

O G1 tenta contato com a defesa dos citados na reportagem.
Antero é sócio de uma empresa de consultoria e comunicação.
À polícia, ele relatou que em 2010 a empresa recebeu quatro cheques assinados pelo presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), Eduardo Botelho (PSB), apontado pelo Ministério Público (MPE) como sendo um dos chefes do esquema.
Os cheques somavam o montante de R$ 19,6 mil e foram entregues pelo irmão do secretário de Cidades e deputado licenciado, Wilson Santos (PSDB), Elias Pereira dos Santos.

O ex-senador alegou que os cheques teriam sido recebidos por um dos sócios e desconhecia a origem dos mesmos.

Botelho e Wilson são investigados no inquérito que apura a fraude.
Também são investigados os deputados: Mauro Savi (PSB), Baiano Filho (PSDB), Romoaldo Júnior (MDB), Zé Domingos (PSD), Nininho (PSD), o ex-deputado federal Pedro Henry, o ex-secretário estadual Éder Moraes e o ex-presidente do Detran-MT, Teodoro Lopes, o Dóia.

Ele fez acordo de delação premiada com o MP. Segundo ele, o esquema começou na gestão do ex-governador Silval Barbosa (MDB), com a indicação dele ao cargo. A sugestão teria sido feita pelo deputado Mauro Savi, também investigado por suspeita de participação no esquema.

De acordo com o depoimento dele, os investigados, entre eles Savi e Botelho, se organizaram, “a fim de garantir a continuidade do contrato, formando uma rede proteção em troca do recebimento de vantagens pecuniárias”.

Ao todo, 30% do valor recebido pelas empresa vencedora do contrato era repassado ao integrantes da quadrilha.

Chefes do esquema

Os deputados estaduais Mauro Savi e Eduardo Botelho ocupavam papel de destaque no esquema e integravam o núcleo de liderança. Segundo o MP, eles detinham o poder de escolher e fazer valer as vontades deles.

“Para o desempenho destas funções, os integrantes deste núcleo se valem do poder puramente político e/ou poder político-funcional”, diz trecho do inquérito policial.
O esquema, de acordo com o MP, é formando ainda por dois núcleos: o de operação e o de subalternos.

Jornalista Renato Pantanal

Jornalista e redator

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