Lixo e esgoto de 13 cidades poluem o Pantanal mato-grossense

Chuva na região metropolitana de Cuiabá leva lixo a rios que abastecem as bacias do Pantanal; poluição é de 1,5t de detritos por dia.

Uma das maiores reservas de água doce do mundo está ameaçada. O lixo e o esgoto de 13 cidades às margens do Rio Cuiabá vão parar no Pantanal mato-grossense.

Tem sofá, ventilador: tudo o que é lixo. Mesmo para quem passa rápido, é impossível não ver. Essa não é a paisagem com que o mundo se acostumou. Só que cada vez mais o que não deveria estar lá, é evidente. Agride a natureza exuberante do Pantanal e a vida de quem é do lugar.

“Fica que o homem pantaneiro destrói a natureza. Não é o homem pantaneiro que destrói a natureza, porque esse lixo vem de lá de cima”, explicou o pescador João Batista.

Lá em cima, seguindo o mapa, é a área urbana da capital. O Rio Cuiabá passa bem ali no meio e a água é envenenada por garrafas pet, inseticida, bolas, capacete.

O Pantanal é um mundo de água. A maior planície alagável do planeta. São 155 mil quilômetros quadrados de área. É maior que o Ceará. Maior que Rio de Janeiro e Santa Catarina juntos. Mas o gigante não escapa ao trabalho de formiguinha que é a ação do homem, o dono do lixo.

Essa época é considerada crítica pelos especialistas. É que a região metropolitana de Cuiabá ficou mais de 80 dias sem chuva. Agora, chove todo dia. Chove para valer. Com isso, os rios enchem e carregam tudo que ficou acumulado nas margens e nos córregos para dentro d’água. Em menos de 24 horas, esse dejetos irão parar nas bacias que alimentam o Pantanal. É uma tonelada e meia de porcaria que vai parar lá todos os dias.

“Essa primeira chuva levou mais de 400 toneladas de lixo para o rio. Umas 45 a 50 era de material flutuante, que desceram, saíram daqui com passagem de ida sem volta”, disse o engenheiro sanitarista da UFMT Rubem Palma de Moura.

E ainda tem o esgoto. Apenas 25% são tratados em Mato Grosso, segundo a Secretaria de Meio Ambiente do estado. Do restante, boa parte desemboca direto nos rios que formam o Pantanal. A secretaria promete apurar o tamanho deste impacto e investimentos.

“Nós temos o comitê de bacias que estamos investindo R$ 7 milhões pelo pró-gestão e monitoramento de qualidade da água para quantificar o tamanho e a quantidade de dejetos poluindo os rios da baixada cuiabana e, consequentemente, acharmos o diagnóstico para podermos buscar a solução”, afirmou o secretário do Meio Ambiente do estado, Carlos Fávaro.

Neste momento, apenas ações voluntárias tentam limpar o Pantanal.

“Esse lixo dos 13 municípios, que fazem margem do Rio Cuiabá, está literalmente matando o Pantanal. Então nós temos sim, temos a obrigação de vir tirar e levar de novo esse lixo para as cidades e jogar em um lugar apropriado”, explicou o diretor da ONG Teoria Verde, Jean Pelicciari.

Seu João agrade: “De primeiro vinha a enchente, vinha o peixe. Agora vem o lixo. O que que nós vamos fazer?”.

Jornalista Renato Pantanal

Jornalista e redator

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