Jornalista R. Pantanal 9 de novembro de 2017

Políticos e pessoas próximas dizem que ele avalia disputar o Palácio do Planalto

RIO. Enquanto se reúne com partidos e apoia movimentos de renovação da política, o apresentador de TV e empresário Luciano Huck encomendou pesquisas para medir suas intenções de voto para presidente da República. Políticos que conversaram com ele nos últimos meses e pessoas próximas dizem que Huck avalia uma candidatura ao Palácio do Planalto.

 

O GLOBO pediu, no dia 17, uma entrevista com o apresentador e não obteve resposta. Procurada mais uma vez no dia 26, sua assessoria de imprensa afirmou que ele estava em estúdio gravando um novo quadro para seu programa de TV naquela semana e na seguinte e, por isso, não estava agendando compromissos.

 

Políticos próximos do apresentador dizem que ele está cauteloso quanto à divulgação de pretensões eleitorais porque ainda avalia o cenário político, quer evitar o desgaste de um lançamento antecipado, e também porque pretende manter, por enquanto, seu programa de TV. Huck cogita se filiar ao PPS, ao DEM ou à Rede.

— Ele vem demonstrando disposição concreta de ser candidato — afirmou uma liderança do DEM, partido com o qual Huck se reuniu pelo menos três vezes nos últimos meses.

Além do DEM, Huck se reuniu há cerca de dois meses com Marina Silva, porta-voz nacional e principal nome da Rede Sustentabilidade, e, há cerca de dez dias, com o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa, que vem sendo cortejado por diferentes partidos para ser candidato ou compor uma chapa presidencial como vice.

O apresentador também já se reuniu pelo menos duas vezes com o PPS, que tem aberto espaço para candidaturas do Agora e do RenovaBR _ movimentos de formação de novas lideranças políticas apoiados por Huck. E Huck chegou a conversar algumas vezes, no início do ano, com João Amoêdo, fundador do Novo.

Opção de centro

Entusiastas de uma candidatura do apresentador defendem que ele seria uma solução de centro, em meio à polarização política. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que vem adotando um discurso mais de esquerda, tem liderado as pesquisas de intenção de voto, seguido do deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ), que se coloca como um representante da direita.

Em pesquisa Ibope publicada pelo colunista de o GLOBO Lauro Jardim, no dia29, Lula tem 35% e Bolsonaro, 13%. Huck aparece no mesmo patamar do governador e do prefeito de São Paulo, Geraldo Alckmin e João Doria, ambos do PSDB. O apresentador tem 5% quando disputa com Lula, e 8% se o nome do PT é o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad. A pesquisa foi feita entre os dias 18 e 22, com 2.002 pessoas em todos os estados brasileiros, com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

— A gente está hoje no Brasil em um ambiente de muita polarização e tem um ímpeto de renovação. A sociedade está pedindo gente de fora da política, o povo está cansado. Essa crise entre representantes e representados abre uma oportunidade para pessoas que não são políticos históricos — afirmou um empresário próximo a Huck, ao comentar a possibilidade de o apresentador ser candidato.

Idas e vindas

Em entrevista ao jornal “Folha de S. Paulo” publicada no dia 30 de março, Huck afirmou que sua geração está pronta para ocupar espaços de poder e que, diante da crise política, novas lideranças vão surgir. Perguntado se poderia se lançar à Presidência da República, ele respondeu que “não dá para responder na atual conjuntura”. E acrescentou: “Se me perguntarem se vou concorrer a algum cargo eletivo, eu não sei responder”.

Quatorze dias depois, artigo publicado por Huck no mesmo jornal começava da seguinte forma: “Não, não sou candidato a presidente da República”. No texto, o apresentador afirmava que pretendia se engajar politicamente, mas sem ser candidato. Ele dizia ainda que o Brasil passava por um vácuo de lideranças e que era necessário discutir ideias e projetos, para além da polarização política.

No último dia 18, o apresentador voltou a escrever um artigo no mesmo jornal, no qual expressou mais uma vez o desejo de se engajar diretamente em movimentos de renovação política. E, novamente, afastou eventual candidatura. “Reafirmo que continuo achando que, de onde estou, fora do dia a dia da política, minha contribuição pode ser mais efetiva e relevante”, disse ele, no texto.

 

Leave a comment.

Your email address will not be published. Required fields are marked*